rui mota cardoso

responsável da unidade de difusão científica DO ipatimup

Carl Friedrich von Weizsäcker, médico e filósofo alemão define o que, na medicina, considera ser o “acto médico fundamental”[i]: “um Homem está doente, possuído pelo desânimo, sente necessidade de ajuda e por isso chama o médico".Mas se o doente pede ajuda, não pede apenas ajuda para a sua luta pela integridade física. Porque é toda a sua individualidade que está em risco, em reacção e em sofrimento; pede ajuda para a defesa da sua integridade física sim, mas também psicológica, social, moral, espiritual e humana. Pede ajuda para a defesa da sua autonomia, que perdeu no próprio acto de depender de ajuda, da sua autodeterminação, do seu direito de saber e decidir e finalmente da sua dignidade.

Ou seja, busca (1) Integridade física, psicológica e social; (2) Segurança, porventura a mais angustiante das necessidades; (3) Controlo sobre a situação e stress; (4) Informação e Decisão; (5) Dignidade; e (6) Autonomia, o sinal primeiro de saúde.

Se o médico enfrenta uma doença, o doente enfrenta um drama. Assim, o acto clínico trata a doença enquanto cuida do doente. E este cuidar significa entrar no seu mundo de sofrimento, perceber os seus medos, crenças, fraquezas e resiliências, respeitar a sua autonomia e fornecer instrumentos de autocontrolo.

“Conhecer a doença: Os doentes em primeiro lugar” tem este duplo objectivo.

Rui Mota Cardoso  

[i] von Weiszaecker. Artz und Kranker.Stuttgart. 1942

 

Manuel Sobrinho Simões

Director do ipatimup

É difícil encontrar um Projecto em que, na qualidade de presidente da direcção do Ipatimup e de membro da direcção do i3S, me reveja mais do que este “Conhecer a doença: Os doentes em primeiro lugar”. Por um lado porque estive na génese da coisa ao participar como um dos 4 membros da equipa europeia na reunião bilateral EUA/Europa realizada em 2008 em Sirmione – uma península do lago Maggiore. Por outro lado, e sobretudo, porque fui uma testemunha pro-activa, passe o pleonasmo, da boa vontade, entusiasmo e competência que a Paula Silva, o João Arriscado Nunes, o Rui Mota Cardoso e muitos outros profissionais do CHSJoão e do IPO-Porto puseram no Projecto.

Muitas das chamadas Ciências da Saúde são exemplares em termos de “Interdisciplinaridade” e este Projecto representa uma espécie de prova desse conceito. Graças à qualidade das nossas gentes foi possível misturar, em doses sábias, associações de doentes, psicólogos, médicos, enfermeiros, sociólogos e nutricionistas que utilizando, talvez sem o saber, os cinco princípios que Deletic e Wong enunciaram no seu artigo “How to catalyse collaboration”[i] permitiram alcançar o objectivo a que a Paula Silva e os seus colaboradores mais próximos se haviam proposto. Por mim só me resta dizer muito obrigado e esperar pelos resultados da implementação no terreno.

[i]Para os mais interessados aqui vão os cinco princípios: 1. Forge a shared mission; 2. Develop T-shaped researchers; 3. Nurture constructive dialogue; 4. Give institutional support; 5. Bridge research, policy and practice (Nature 525:315-317, 17 de Setembro de 2015)